sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Felicidade tem prazo de validade.


            No dia em que antecedia sua partida, Vanessa teve no hospital visitando dona Carmem que respirava com a ajuda de aparelhos. Despediu-se, pois não a veria até a sua volta, depois foi para casa acompanhada de Vera e Rafaela, Roberval e Verônica passariam a noite com a enferma.
            Vanessa levou a pequena Rafa que dormia em seu colo para o quarto, ajeitou-a na cama dando um beijo de boa noite, apagou a luz e saiu.
            Em seu quarto, Vera que estava deitada na cama de bruços, chorava baixinho, ao vê-la entrar, tentou disfarçar sua tristeza, enxugou as lágrimas levantou e foi direto para o banheiro, abriu o chuveiro e entrou sob a água morna que caía como uma cachoeira sobre o seu corpo bronzeado.
            Vanessa entrou, e encostou-se perto da porta com os braços cruzados olhando-a sem nada dizer, Vera que estava de costa para a porta, sentindo sua presença, não teve coragem de encará-la.
Ficou ali parada tentando adivinhar o que estaria passando em sua cabeça naquele momento, esteve tão calada o dia inteiro, evitando olhar em seus olhos, fazendo-a sentir-se culpada por ela não poder acompanhá-la naquela viagem. E, pela primeira vez, desde que estavam juntas, fora tomar banho sozinha sem convidá-la para que a acompanhasse.
            Coçou a cabeça como se estivesse tentando arrancar alguma idéia, então ficou cabisbaixa, triste e pensativa. O coração batia acelerado, uma sensação estranha tomou conta do seu ser, sentiu-se agoniada, experimentou o gosto ruim de um possível desentendimento, um clima estranho entre elas pairava no ar, não sabia como lidar com aquela situação, pois não havia tido nenhuma briga que pudesse justificar aquela situação de desconforto.
            - Você não vai entrar? 
            Perguntou Vera que permanecia de costas.
            - Depois eu tomo banho.    
            Respondeu chateada com sua rispidez. Virou e quando ia saindo, fora agarrada por trás.
            - Desculpe-me amor, eu sou uma burra mesmo! Ninguém tem culpa de nada. Após uma pequena pausa pediu. Abraça-me forte.
            Vanessa que ainda estava vestida virou e abraçou-a com muita força apertando-a sobre seu corpo, depois fechou os olhos para sentir melhor as batidas do seu coração que golpeava o seu peito descompassado.
            - Diz que me ama!
       - Eu te amo!
            - Estou com muito medo, amor.
            - Medo do quê?

            - Medo de te perder!
Continua...       
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

UMA TURNÊ NO EXTERIOR.


            O grupo Sonhos e Desejos lançaram o primeiro CD, porém, não puderam contar com a presença da madrinha que estava fazendo um show em uma cidade distante, e devido ao mal tempo, ficara presa no aeroporto, porquanto todos os voos haviam sidos cancelados até que a tempestade acabasse. No entanto, não tinham do que reclamar, já que a cantora havia gravado uma canção em uma das faixas do CD, tendo assim, uma participação mais que especial.
            A revista que trazia Vera linda e formosa com uma rosa nos cabelos, tendo Vanessa por trás abraçando-a e beijando o seu rosto, chegou as bancas já com sua primeira edição esgotada, todos queriam ler e saber quem era a mulher com quem a estrela vivia. Houve muitos rumores, muitos criticaram a atitude delas, outros aprovaram.
Vanessa que já recebia centenas de cartas de mulheres se declarando a ela, após a entrevista dada por Vera contando um pouco de suas intimidades, não conseguia mais ler a todas, pois elas haviam se multiplicado, além dos e-mails que chegavam a todo minuto.
            Apesar da agenda de Vanessa estar lotada, Roberval conseguiu abrir um espaço para que ela realizasse algumas apresentações no exterior, e assim divulgar o seu novo trabalho.
            Era a primeira vez que deixaria o País a trabalho, iria se apresentar nos Estados Unidos, onde passaria trinta dias, Vera também iria, estavam muito felizes, porém, dona Carmem adoeceu dias antes de embarcarem, e foi internada as pressas com problemas respiratórios.
            Vanessa achou melhor Vera não viajar e ficar ao lado da mãe que estava muito mal, Verônica e Roberval também aprovou a decisão da cantora que pensou primeiramente na saúde da sogra.

            Apesar de triste, a empresária tentava disfarçar sua angustia, seu ciúme por não estar por perto caso alguém tentasse flertá-la, no entanto, não disse nada.
Continua...       
ToTodos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Era sexta-feira, chovia muito, e Vera não pode acompanhar Vanessa em uma apresentação que seria feita na cidade vizinha, porque Verônica lhe havia pedido para ficar e ajudá-la a resolver alguns problemas pendentes na empresa.
            Naquela noite Vera esperou acordada por Vanessa que havia combinado com a empregada para que preparasse um jantar especial a luz de vela, sem que a empresária soubesse, e que seria servido embaixo do quiosque perto da piscina.
            Quando chegou a casa já era de madrugada, pegou o violão e desceu do carro, dispensou os seus seguranças particulares, caminhou embaixo da chuva que caia. Os empregados já a esperavam, porquanto ela havia telefonado quando estava a caminho de casa pedindo para que deixassem as coisas preparadas.
            Parou embaixo da janela do seu quarto e começou a cantar a música preferida de Vera, do alto, ela que estava sentada em uma poltrona lendo um livro, quando ouviu a música, correu até a janela abrindo-a, ao vê-la cantando embaixo da chuva se emocionou, não sabia se ria ou se chorava, mandou-a sair do meio daquele temporal.
            - Vem meu amor, a noite é uma criança. Gritou a boêmia apaixonada.
            Vera fechou a janela e desceu as escadas correndo, atravessou a sala como um relâmpago e entrou no meio da chuva se atirando nos braços de Vanessa que a levantou rodando-a no ar.
            - Você é maluca meu amor!
-     Eu sou maluca por você! Beijando-a.
Em seguida, pede para Camélia colocar um tango para tocar no aparelho de som que fora instalado ali para aquela ocasião.
            - Quer dançar comigo?
            - Eu adoraria!           
            E assim elas dançaram embaixo da chuva, por sobre a grama encharcada pela enxurrada que passava por ali. Dona Carmem e Verônica que estavam dormindo, acordaram com o barulho e foram ver o que estava acontecendo, e sem que fossem vistas, ficaram por trás das cortinas observando-as, depois voltaram para o quarto dormir.
            Após a música, caíram na piscina e depois foram até a mesa que estava posta embaixo de um Quiosque e sentaram para comer. Vanessa pegou a rosa que estava no vaso e colocou-a nos cabelos de Vera.
            - O que estamos comemorando meu amor? Eu não me lembro de nada em especial.
            - Não precisamos de datas comemorativas, todos os dias para mim são especiais, desde que eu esteja ao seu lado!
            - Desculpe-me amor, para mim também todos os dias são especiais estando com você. Obrigada por me amar assim, e por me fazer tão feliz.
            Vera pede para que lhe tragam uma toalha, pois teme que Vanessa fique doente ou pegue um resfriado, jantam, então sobem para o quarto e vão tomar banho para tão logo terminarem aquela noite se amando.

 Continua...        
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

sábado, 2 de setembro de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

- Está bem, eu vou. Pedindo desse jeito não dá para recusar. Só preciso me arrumar.     
            - É por isso que eu te amo! Beijando-a feliz.
            Algum tempo depois, Vanessa desce, cumprimenta a repórter e o fotógrafo, depois tiram várias fotos juntas.
            Letícia prometeu trazer as fotos pessoalmente para que elas assim que fossem reveladas, para que escolhessem qual ficaria melhor para colocar na capa da revista.
Naquela mesma semana, Letícia levou as fotos para que Vera e Vanessa escolhessem a melhor, a revista estaria nas bancas em quinze dias.
            Enquanto isso, elas levavam a vida normalmente, entre um show e outro, Vanessa tentava ficar o maior tempo possível sozinha com Vera, namorando.

           Continua...        
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

DANÇANDO NA CHUVA.


            Chegou enfim o grande dia da entrevista, Vera estava muito nervosa, o jardim da casa serviu como cenário com vista para a piscina, Vanessa ficou no quarto terminando uma música, pois não queria roubar a cena da namorada.
-Me deseja sorte meu amor.
- Boa sorte meu bem! Sorriu, depois brincou. Não vai me esquecer depois que ficar famosa.
- Sua boba! Eu amo você.
            Vera desceu a repórter e um fotógrafo já a esperava no jardim, a entrevistadora conversou primeiro deixando-a a vontade num papo descontraído enquanto tomavam sucos.
            - Eu a escolhi para entrevistá-la, falou a repórter Letícia, porque acompanho a carreira de Vanessa Star desde o início, e acho que, se hoje ela se tornou uma grande estrela, acredito que você tem tudo a ver com isso.
            - Não é verdade, respondeu. Se hoje ela se tornou esse fenômeno, foi por mérito próprio, eu não tive nada a ver com isso!
            Letícia era uma grande repórter, sabia conduzir uma entrevista com sutileza, era fã de Vanessa Star, e mesmo sem conhecê-la pessoalmente, admirava-a muito e não tinha preconceito.
            Aos poucos, Vera contou como sua vida se transformou depois que conheceu Vanessa, enquanto o fotógrafo lançava o flash de sua câmara fotográfica sobre ela, descreveu a personalidade de sua companheira, e algumas intimidade picantes quando estavam sozinhas, e quase no final da entrevista, a moça disse a ela que gostaria que a foto para a capa da revista fosse feita junto com Vanessa.
            - Não sei se ela irá aceitar fazer as fotos, mas vou verificar.
            Vera pediu licença e foi até o quarto conversar com Vanessa, que não esperava pelo convite.

            - Por favor, amor, pediu manhosa. Vamos até lá. Você não vai me deixar na mão agora, ou vai?
Continua...       
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

O tempo foi passando, certo dia, uma repórter de uma revista conhecida, decidiu fazer uma matéria sobre gays e lésbicas, entrou em contato com Roberval, e pediu para que Vera lhe desse uma entrevista e contasse sobre sua intimidade com a cantora, razão pela qual, consideravam-nas como uma das representantes das lésbicas no Brasil.
            No início, a empresária não quis falar sobre o assunto, pois precisava consultar Vanessa primeiro antes de decidir alguma coisa.
            - Você é quem sabe amor, respondeu Vanessa enquanto se preparava para subir no palco. Mas pensa bem, não faça nada que irá se arrepender depois.
           Era uma decisão muito difícil de tomar, já que, quando Vanessa assumiu publicamente que era lésbica, não revelou o nome da pessoa com quem vivia, somente para preservá-la e não a prejudicar no mundo empresarial, poupando-a de aborrecimentos futuros, quis evitar os especuladores.
            Por outro lado, Roberval e Verônica incentivavam-na a dar a entrevista, dizendo que ela não tinha nada a esconder de ninguém.
            Vera sentia-se tentada com a idéia de mostrar ao mundo que era ela a pessoa com quem Vanessa havia escolhido para viver e que estavam felizes juntas, só assim, afastaria a possibilidade de alguém tentar conquistá-la futuramente.
            - Diga à repórter que eu darei a entrevista! Respondeu decidida.

       Então foi marcado um encontro na mansão de Vera, de onde ela daria todas as declarações.
Continua...       
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

AJUDANDO OS AMIGOS


            Contrataram um diretor de renome para dirigir o novo espetáculo de Vanessa Star, e os ensaios foram feitos na fazenda de Vera, assim que voltaram para a cidade, antes de iniciar a agenda de shows, Vanessa mandou reunir o pessoal da banda “Sonhos e Desejos” para conversar.
            Estavam ansiosos para saber o que a estrela queria, a reunião se deu na casa de shows Adrenalina. O pessoal da banda que pensavam que ela havia esquecido-se dos velhos amigos que tinha antes de ficar famosa, foram surpreendidos com uma grande noticia, Vanessa iria ajudá-los a gravar o primeiro CD, entregou algumas composições de sua autoria para que eles escolhessem aquela que mais agradaria o grupo, avisando-os que já estava tudo certo com a gravadora, e só dependeria deles daquele momento para frente.
            Todos a abraçaram agradecendo pela oportunidade que estavam tendo, chamando-a de fada madrinha.
            Teve início então à grande turnê de apresentações, a casa estava sempre lotada e o público afinado.
            Vera começou então a aplicar todo o dinheiro que entrava em bens materiais, em pouco tempo, Vanessa já possuía um patrimônio surpreendente, e sonhava usar parte desses imóveis para criar alguma entidade filantrópica, já que, além de Vera, não tinha mais ninguém para deixar sua fortuna caso viesse a falecer.

            Sem que Vera tomasse conhecimento, mandou que o seu advogado preparasse seu testamento, pois sempre foi uma mulher prevenida.
Continua...       
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Logo pela manhã, Vanessa acordou primeiro que Vera abriu um pouco a janela do quarto para deixar entrar ar fresco, desceu e foi até o jardim e apanhou uma rosa, voltou para o quarto e colocou-a junto com a carta sobre seu travesseiro, então saiu novamente em silêncio para preparar a bandeja com café, porquanto todas as vezes que se encontravam em casa, só tomavam o café da manhã no quarto.
            Minutos depois, sob a luz dos raios de sol que penetravam pelas frestas da janela entre aberta, invadindo o quarto numa busca louca e insistente tentando conseguir afastar a escuridão, acompanhada pelo ar fresco e suave que beijava o seu corpo nu, Vera ainda sonolenta procurou Vanessa com as mãos por toda a cama, arregalou os olhos para ter certeza de que estava realmente sozinha e deparou-se com a rosa sobre o papel dobrado, surpreendida, sorriu, apanhou a rosa e cheirou-a para solver o seu perfume, e pensou alto.
- Ah meu amor, se você não existisse com certeza eu a inventaria!
            Então, sentou-se na cama recostada na cabeceira, e abriu a carta para ler.

Querido Amor,

            Não sei bem o que é velhice, por que essa palavra não a conheço na forma pela qual você se refere.
            Para mim, envelhecer é não ter a capacidade de amar, é ter medo de se entregar totalmente a esse amor, é ter medo de ser feliz, e ignorar tudo o que de bom a vida tem a nos oferecer.
            O pensamento é o nosso corpo movido pelo espírito que nos domina. Ser velho não é a questão, a solução é saber envelhecer dentro dos padrões naturais da mãe natureza que é tão velha quanto a terra e, no entanto, és linda como a um jardim florido.
            Para que sofrer com pensamentos antecipados, sendo que hoje eu estou ao seu lado somente para lhe amar!
            Então, talvez eu nem precise falar de poesia, ou mesmo dizer do meu amor infinito, das cantigas dos pássaros ou da brisa da madrugada calada... do sol dos apaixonados que escondem as estrelas no céu, ou da nuvem solitária em forma de algodão que chama pela chuva para cantar com o vento.
            Acho meu amor, que, nem mesmo o tempo poderá dizer sobre esse sentimento que todos temem que é o envelhecer.
            Mas, se você insistir, talvez eu possa lhe contar.
            Envelhecer para mim é você deixar de me amar!
            Com todo o meu amor.
                                               Vanessa Star!

 Continua...
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Já era de madrugada quando Vanessa acordou com sede, afastou Vera do seu corpo com cuidado para não acordá-la, vestiu uma roupa e desceu sem fazer barulho. Foi até a cozinha, pegou um copo com água na geladeira, depois foi ao escritório da casa, pois estava sem sono.
            Ligou o computador para se entreter e esperar pelo sono, mas, logo desistiu, desligando-o. Pegou o porta retrato de cima da mesa onde havia sua foto junto com Vera e ficou olhando, se distanciou por alguns minutos lembrando do dia em que fora tirado aquela fotografia.
            Voltou novamente à realidade em que se encontrava, e resolveu escrever uma carta para sua amada, porquanto conseguia transpor para o papel os seus sentimentos melhores que quando estava falando. Aproveitou-se do silêncio da noite, apanhou uma caneta e um bloco de carta e buscou bem no fundo do seu âmago a sua capacidade para sentir.
            Apesar de não estar muito inspirada, conseguiu traçar algumas linhas, destacou a folha, dobrou-a e levou-a consigo até o quarto, para entregá-la no outro dia quando Vera acordasse.

            Então dormiu serena.
Continua...     
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade

Bem mais tarde quando todos se recolheram, Vanessa e Vera tomaram um banho, a empresária estava orgulhosa de sua amada, e ao mesmo tempo, receosa, com medo de perdê-la aos fãs.
            Parou em frente do enorme espelho fixado a parede, se olhando, deixou cair à toalha no chão descobrindo todo o seu corpo nu, Vanessa estava sentada na cama observando-a, quando então, ela chamou-a para que fosse até lá.
A cantora se aproximou por trás trajando um roby de seda vermelho, como era mais alta, pode ver melhor sua imagem refletindo-se no espelho em contraste com o corpo de sua amada que ainda continha algumas gotículas d’água. Encaixou seu queixo sobre seu ombro e o pescoço abraçando-a em seguida.
-     Você me acha muito velha meu amor?
Quis saber cheia de temores.
-     Por que essa pergunta agora?
-     Por favor, me responda. Você é dez anos mais
nova do que eu, diga-me.
            - Se eu achasse, não estaria aqui com você.
            - Me perdoe amor, mas eu tenho tanto medo de te perder, daqui a alguns anos eu não terei o mesmo corpo, meu rosto estará cheio de rugas e...
            - E daí? O que isso importa agora? Eu quero você de qualquer jeito! Falou mansinho beijando-a no rosto.
            Vera pegou as mãos de Vanessa e colocou-as sobre seus seios, depois fechou os olhos para senti-la acariciando-os, levantou os braços para trás segurando na nuca de sua amada que a beijava sucessivamente enquanto ela falava.
            - Jura que você vai me querer mesmo assim? Sussurrou.      
-     Eu juro! Juro! Juro! Juro!...
-     Te quero só para mim, meu amor. Espero que
a fama não suba na sua cabeça.
            - Eu sou só sua meu bem, de mais ninguém.
            Vera sempre torceu para que Vanessa conseguisse alcançar o sucesso merecido, mas, por outro lado, sentia-se insegura, achava que com a chegada da fama, os sentimentos mudariam ou a relação ficaria abalada.
            Procurou ser mais cautelosa, precisava convencê-la a tirar essa idéia da cabeça, redobrou a atenção para ela, conversavam muito, deixando-a bem mais segura de si.

            Naquela noite fizeram amor como nos outros dias, porém, com um sabor a mais, com o gosto da vitória, já que havia se tornado uma personalidade nacional. Só então, bem mais tarde adormeceram.
Continua...     
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

SURGINDO UMA ESTRELA.


            Vanessa cortou os seus cabelos compridos estilo Chanel, resolveu mudar o visual para o lançamento do segundo CD, que, logo nas primeiras semanas, uma das faixas estourou em sucesso, quase sem acreditar, chorou de tanta emoção, Roberval que sempre acreditou em seu talento, não se cabia de felicidade.
            Ele que já estava namorando Verônica, correu até a casa dos Horídez para comemorar, entrou na sala, Vanessa correu ao seu encontro e abraçou-o.
-     Eu sabia que você iria acontecer garota!
-     Obrigado por tudo que fez por mim.
Vera aproximou-se com ciúmes e puxou-a com classe pelo braço abraçando-a logo em seguida.
-     Vamos sair para comemorar?
Convidou ele, depois de receber um beijo de sua namorada. Rafaela que estava brincando por perto, quando ouviu, veio correndo e se ofereceu para ir junto.
- Eu não sei, respondeu Vanessa olhando para Vera. O que você acha amor?
            - Não sei meu bem, preferia ficarmos em casa, só nós duas, daqui há pouco você vai começar a fazer shows e não teremos muito tempo para ficarmos juntas.
-     Sinto muito Roberval, deixa para próxima.
- Tudo bem, eu entendo, então vamos nós dois Verônica?

            Verônica pede à mãe para que tome conta da pequena Rafaela, precisava acompanhar o namorado naquela comemoração, já que foi ele quem fizera de Vanessa Star, a estrela que se tornara no presente momento, lógico que se ela não tivesse talento nada daquilo adiantaria. Trocou de roupa e saiu feliz.
Continua...     
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

O tempo foi passando, e acabou a temporada de shows de Vanessa, que já havia começado a se preparar para gravar o seu novo CD. Enquanto isso, ela aproveitou as horas vagas para fazer algumas aulas particulares, contratou uma professora de dança para ensiná-la em casa a pedido de Vera que não gostava muito que ela saísse.
            Sempre sonhou aprender a dançar tango, e agora que tinha condições, não deixaria essa oportunidade lhe escapar. A empresária que assistia às aulas de perto, conseguiu familiarizar-se com a dança, então, passou a ensaiar com Vanessa quando estavam sozinhas.
            Aprenderam muitas coisas juntas, esqueceram até que eram vítimas de preconceitos, já não se incomodavam com os olhares das pessoas, levavam a vida como se fossem marido e mulher. Estavam felizes e isso era o que importava para elas, o resto era resto!
            As pessoas nunca iriam entender o que estavam sentindo, que no amor, o que vale é o sentimento e que a felicidade tinha realmente o seu prazo de validade como sempre dizia Vanessa, mas não estavam nem um pouco interessadas em saber quando venceria a delas. Por essa razão, vivia intensamente cada minuto como se fosse o último, sem medo do amanhã.

 Continua...      
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

- Boba! Puxando-a pelo braço. Vem cá, me dá um cheirinho, estou morrendo de saudades.
            - Eu amo você! Beijando-a levemente nos lábios. Prometa para mim que nunca irá me deixar.
- Eu também te amo. E prometo que nunca irei deixá-la! Vou amá-la e respeitá-la até que a morte nos separe.
-     Você falou de novo.
-     Me desculpe amor, escapou sem querer.
-     Tudo bem, desta vez passa!
Aquela noite, Vera quase não dormiu direito preocupada.
            Após muita insistência, Vanessa foi fazer os exames, porém não havia nada grave com a cantora que gozava de boa saúde.
            Passaram em uma loja de departamento infantil, e compraram alguns brinquedos para Rafaela, Vanessa se apaixonou por um urso de pelúcia, e Vera não perdeu tempo, mandou a vendedora embrulhar dois para presente, sendo que um, seria para a pequena rafa que não iria perdoá-la caso não ganhasse igual o da tia. Era sempre assim, quando Vera comprava alguma coisa para Vanessa, teria sempre que adquirir em dose dupla, pois as duas sempre ficavam com ciúmes uma da outra.
            Chegaram a casa já era tarde, Vanessa e Rafaela sentaram-se no chão da sala para abrir os presentes, Dona Carmem, Vera e Verônica que estavam sentadas no sofá, observavam-nas de longe.
- A Vanessa só tem tamanho, comentou Verônica. Mas, ainda é uma criança.

- Acho que é por isso que ela é tão especial para mim. Respondeu Vera.
Continua...      
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.


Elas entram, após ser medicada pela sogra, Vanessa vai para o quarto se deitar. Vera não estava em casa, havia ido à empresa para resolver um problema e só chegou bem mais tarde.
            - O que aconteceu com a Vana mamãe?
            Vana era como ela a chamava quando referia o seu nome a outras pessoas, foi logo querendo saber ao entrar em casa, pois Rafaela já havia lhe dito que a moça não estava bem.
            - Disse estar com dor de cabeça. Respondeu. Mas eu lhe dei um remédio, e ela foi dormir.
            - Porque a senhora não me telefonou? Eu viria logo para casa.
            Vera sobe em seu quarto e vai verificar se Vanessa estava com febre, mesmo assim liga para o médico da família e pede para que ele venha examiná-la.
            - Ela aparentemente não tem nada Vera, falou o doutor. Mas, para que você não fique preocupada, leve-a amanhã para fazer esses exames.
            - Obrigado doutor, amanhã nós iremos.
            Não saiu mais de perto de Vanessa enquanto ela não acordou, estava aflita, precisava saber se a sua amada havia melhorado.
            - Oi meu amor, você está melhor?
            - Não foi nada meu bem, só uma dorzinha de cabeça, mas já passou.
            - Amanhã nós vamos fazer uns exames.
            - Bobagem, dor de cabeça não é doença. E eu sempre tive dores de cabeça!
            - Mesmo assim iremos.
            - Você se preocupa muito comigo meu amor, eu não vou morrer por causa disso!

            - Nunca mais diga isso, nem de brincadeira. Eu não suportaria viver sem você.
Continua...   
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

domingo, 20 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

FAZENDO EXAMES.


            Sempre que estava em casa, a pequena Rafaela vivia disputando Vera com Vanessa que a insultava deitando-se sobre ela, a garota tinha ciúmes da tia e não deixava ninguém mais chegar perto.
            - Sai daí tia Vanessa, a tia Vera é só a minha tia. Fala empurrando-a para que se afaste.
            Rafaela era uma garotinha meiga e delicada, tinha os cabelos negros sobre os ombros, à pele rosada e macia, inteligente e amorosa, era o centro das atenções da casa, adorava Vanessa, que brincava com ela todas as vezes que estava em casa, ensinou-a a dançar e imitava a cantora sempre que ouvia seu disco ou quando ia assistir aos ensaios do show, só andava com uma rosa nos cabelos.
            Vanessa não tinha apresentações aquela semana, então resolveu ficar em casa curtindo a tia e a sobrinha ao mesmo tempo, estava no jardim brincando com o cachorrinho que havia comprado para a Rafa, de repente, sentiu fortes dores de cabeça, parou a brincadeira e sentou-se embaixo da sombra da árvore, fechou os olhos e colocou as mãos na cabeça apertando-a para amenizar a dor, Rafa se aproxima chamando-a para voltar a brincar com eles.
            - Vamos tia Vanessa, o Ted quer brincar.
            Ted era o nome do cachorro, tinha apenas quatro meses de vida, era um cãozinho brincalhão, ele aproximou-se também e lambeu seu rosto como se estivesse tentando reanimá-la.
            - Agora não meu bem, a titia está com dor de cabeça.
            - Ah tia, vamos brincar com a gente.
            - Depois meu amor.
            Rafa volta a brincar com o cachorro, logo depois, dona Carmem se aproxima e senta-se perto dela.
            - O que houve minha filha?
            - A minha cabeça parece que vai estourar.

            - Vamos para dentro de casa, eu vou lhe dar um analgésico, você toma e se deita, logo vai passar.
Continua...    
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.