Ela estava
arrasada com o que havia presenciado e ouvido naquela cidade, não se conformava
com o preconceito daquelas pessoas, que por um momento chegaram a vaiá-la
durante o show, chamando-a de “sapatão” e dizendo as maiores barbaridades, e
para sufocar os rumores, cantou sem interrupção.
Os homens eram os que mais faziam
gracejos, dizendo que ela precisava se deitar com eles para nunca mais querer
saber de outra mulher. Não reagiu aos insultos, já que não entenderiam nunca
que no amor não existe cor, preceitos ou tabus, desde que ele seja vivido
intensamente com o coração limpo e a alma pura, tentou esquecer tudo e
adormeceu no banco do passageiro.
Chegou em casa já era de madrugada,
Vera estava acordada lendo um livro enquanto esperava por ela, pois não dormia
direito todas as vezes que Vanessa viajava, preocupada com os perigos que
escondiam as estradas.
Entrou no quarto e se jogou em cima
da cama, abraçando-a com força, estava com as mãos frias, e tremia sem parar.
Não conseguia explicar aquela reação, que estava invadindo o seu ser, sentiu
medo e chorou como uma criança.
Como já sabia o que havia
acontecido, pois se falaram minutos depois do show, Vera tentou consolar com
palavras amenas, já que enfrentou isso a vida toda e estava acostumada.
Vanessa sentiu
vontade de parar de cantar, queria fugir daquelas pessoas que a apedrejavam,
sem que ela tivesse feito alguma coisa.
- Você não pode fugir meu amor, é
preciso enfrentar a realidade, com o tempo, você se acostuma e as pessoas
também. Venha, vamos tomar um banho bem gostoso, depois vamos comer alguma
coisa, você não está com fome?
- Estou!
Tomaram um banho, desceram até a
cozinha e esquentaram a comida que Camélia havia preparado e deixado na
geladeira para quando Vanessa chegasse.
- Você está arrependida?
- Claro que não amor. Eu ainda não
estou acostumada com tudo isso.
- Espero que isso não afete o nosso
relacionamento.
- Pode ficar tranqüila, amanhã com
certeza eu vou amanhecer melhor.
- É verdade, amanhã é outro dia, e
nada como um dia atrás do outro, e uma noite no meio, não é? Sorriu,
beijando-a.
Foram para o quarto e deixaram o
mundo paralelo do lado de fora da porta, conversaram muito até chegar o sono,
depois adormeceram abraçadas.
Continua...
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