segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Ela estava arrasada com o que havia presenciado e ouvido naquela cidade, não se conformava com o preconceito daquelas pessoas, que por um momento chegaram a vaiá-la durante o show, chamando-a de “sapatão” e dizendo as maiores barbaridades, e para sufocar os rumores, cantou sem interrupção.
            Os homens eram os que mais faziam gracejos, dizendo que ela precisava se deitar com eles para nunca mais querer saber de outra mulher. Não reagiu aos insultos, já que não entenderiam nunca que no amor não existe cor, preceitos ou tabus, desde que ele seja vivido intensamente com o coração limpo e a alma pura, tentou esquecer tudo e adormeceu no banco do passageiro.
            Chegou em casa já era de madrugada, Vera estava acordada lendo um livro enquanto esperava por ela, pois não dormia direito todas as vezes que Vanessa viajava, preocupada com os perigos que escondiam as estradas.
            Entrou no quarto e se jogou em cima da cama, abraçando-a com força, estava com as mãos frias, e tremia sem parar. Não conseguia explicar aquela reação, que estava invadindo o seu ser, sentiu medo e chorou como uma criança.
            Como já sabia o que havia acontecido, pois se falaram minutos depois do show, Vera tentou consolar com palavras amenas, já que enfrentou isso a vida toda e estava acostumada.
            Vanessa sentiu vontade de parar de cantar, queria fugir daquelas pessoas que a apedrejavam, sem que ela tivesse feito alguma coisa.
            - Você não pode fugir meu amor, é preciso enfrentar a realidade, com o tempo, você se acostuma e as pessoas também. Venha, vamos tomar um banho bem gostoso, depois vamos comer alguma coisa, você não está com fome?
            - Estou!
            Tomaram um banho, desceram até a cozinha e esquentaram a comida que Camélia havia preparado e deixado na geladeira para quando Vanessa chegasse.
            - Você está arrependida?
            - Claro que não amor. Eu ainda não estou acostumada com tudo isso.
            - Espero que isso não afete o nosso relacionamento.
            - Pode ficar tranqüila, amanhã com certeza eu vou amanhecer melhor.
            - É verdade, amanhã é outro dia, e nada como um dia atrás do outro, e uma noite no meio, não é? Sorriu, beijando-a.

            Foram para o quarto e deixaram o mundo paralelo do lado de fora da porta, conversaram muito até chegar o sono, depois adormeceram abraçadas.
Continua...
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