quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Elas percorrem o jardim agachadas, Vanessa segura na mão de Vera para não se perderem, passam por trás da casa, e vão para o outro lado onde havia muitas árvores. De longe, elas vêem um dos seguranças que fazia a ronda, se escondem atrás de uma árvore.
- Psiu! Pede ela para que não faça barulho. Eu não disse que poderia haver algum animal feroz por aqui. Veja ali perto daquelas pedras.
            - Que animal é aquele?
            - Parece um tigre, e pelo jeito deve estar faminto. Venha, vamos por ali, cuidado com as armadilhas que os caçadores esconderam, estamos em temporada de caça.
            - Olhe, falou Vera ao avistar a piscina. Tem um lago logo à nossa frente, vamos dar um mergulho?
            Elas correm em direção à piscina e mergulham, fantasiando cada detalhe.
            O mundo do faz de conta estava conseguindo trazer de volta tudo aquilo que Vera sempre teve vontade de fazer quando era criança, mas que não pode, já que vinha de uma família de classe média alta e seus pais sempre a privaram de certas regalias infantis, como brincar na terra para não se sujar, quase não tinha amigos, brincava somente com a babá e sua irmã, mas eram brincadeiras diferentes, sempre tiveram de tudo, nunca haviam experimentado a magia de ter que imaginar alguma brincadeira para se divertir.
            Seus pais sempre estavam ocupados, nunca tiveram tempo para brincar com ela e seus irmãos que eram sempre reprimidos por eles.
            Após o banho no lago, elas correram pela floresta, escalaram montanhas, estavam cheias de vida e energia, Vera nunca tinha imaginado que dentro de sua própria casa estava outra parte do paraíso, e que não precisava ir tão longe para encontrá-lo, bastava apenas estar apaixonada pela pessoa certa e na hora certa.
            - Sinto muito pela grama.
            Falou enquanto caminhavam de mãos dadas pelo quintal destruído.
            - Não se preocupe depois eu mando o jardineiro consertar.
            - Você está com frio?
            - Eu não sinto frio ao seu lado.
            Voltaram para a barraca e adormeceram sobre os lençóis, que naquele momento era o saco de dormir.
            O jardineiro iria ter muito trabalho no outro dia para consertar a grama, porém, Vera não estava nem um pouco preocupada, pagava muito bem os seus funcionários para que eles a servissem e que fossem discretos. 
Continua...
Todos os direitos reservados à Loba Solitária.
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
MINISTÉRIO DA CULTURA
Rua da Imprensa, nº 16/Sala 1205 – Centro
Rio de Janeiro - RJ
Escritório de direitos Autorais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário