sábado, 17 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

UM NOVO CARGO PARA VANESSA.


            No outro dia bem cedo Vera retornou a casa de Vanessa, queria lhe dar a notícia pessoalmente, estava usando isso como desculpa para vê-la, mas ainda não havia descoberto esse detalhe, e novamente tomaram café juntas.
            - Você poderá começar na segunda-feira se quiser.
            - Por mim tudo bem, é até bom, pois preciso entregar alguns trabalhos.
            - Ótimo! Eu vou mandar dar baixa em sua carteira de trabalho, e pedir que a contrate como nova funcionária e uma nova profissão. Vida nova!
            - Faça como quiser!
            Ficaram em silêncio por alguns instantes, mas Vanessa sempre dava um jeito quando se encontrava nessa situação, e foi logo arrumando assunto para quebrar o gelo.
            - A senhora gostaria de almoçar comigo?
            - Bem, eu...
            - Tudo bem, eu sei que a senhora é uma mulher muito ocupada, e não iria querer comer na casa de pobre, principalmente de uma funcionária sua.
            - Não é isso, sorriu. É claro que eu adoraria almoçar aqui com você, mas é que, eu tenho duas reuniões hoje importantes, deixa para outra ocasião, está bem?
            - Tudo bem, eu entendo!

            Vera se despede de Vanessa com um aperto de mão, e vai embora. Por um momento, no meio do caminho à fábrica, pensou em voltar e aceitar o convite para não magoá-la, mas tinha que estar naquela reunião, lamentou-se por isso, mas sorriu, abobada era a primeira vez em que tinha um contato direto com uma operária de sua empresa, sempre quem resolvia os problemas da firma era Marcelo ou mesmo Sueli. 

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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

- Você poderá ser muito útil trabalhando no setor de marketing da empresa.
            Vanessa sorri e diz:
            - Eu? Coitada de mim, eu não tenho estudo, nunca que eu iria conseguir trabalhar num lugar desses.
            - E por que não, eu sou a dona da empresa, posso contratar quem eu quiser.
            Vera pede para ver mais alguma coisa que ela esteja fazendo Vanessa então, lhe mostra a Home - Page que estava preparando para colocar na internet.
            Conversam por algum tempo, mas logo a empresária recebe uma ligação em seu celular, e tem que sair apressada, pois, havia se esquecido de que tinha uma reunião importantíssima, mas promete voltar mais tarde para continuarem a conversa.
Após a reunião, Vera chama Sueli para uma conversa, e conta a ela sobre o que viu na casa de Vanessa, propõe a amiga que lhe arranje um cargo em seu departamento, já que a moça tinha muito talento.
            Sueli então passou o resto do dia pensando que cargo daria para Vanessa em seu departamento, já estava com o quadro de funcionários completo. Somente no final da tarde é que conseguiu ter uma idéia.
            Foi até a sala de Vera para lhe falar.
            - Acho que ela poderá trabalhar junto comigo por enquanto na área de divulgação. Contatando os clientes e fazendo alguns leiautes novos dos próximos lançamentos.
            - Ótimo! Boa ideia Sueli, assim nós vamos conseguir consertar a injustiça que eu cometi com ela, mandando-a embora.
            - Desculpe-me Vera, mas, é só pela injustiça mesmo, ou tem mais alguma coisa?
            - Qual outro motivo eu teria?
            - Só perguntei por perguntar.
            Sueli deixa a sala, e logo, entra Luciene.
            - O que você quer desta vez? Perguntou irritada.
            - Desculpe-me Vera, mas eu soube que você vai me rebaixar de cargo de novo, é verdade?
            - Você me pediu para não a mandar embora, eu atendi, mas isso não significa que ficaria no mesmo cargo. A partir de hoje, você irá trabalhar no departamento de pessoal como auxiliar.
            - Mas, ...
            - Sem mais, nem menos, senão estiver satisfeita, pode se demitir, eu terei o maior prazer em assinar a sua carteira de trabalho!

            Luciene não diz mais nada e sai da sala cabisbaixa, Vera sente um aperto no coração, mas tenta ser firme, era preciso ser forte para não recuar. Estava reagindo bem diante daquela situação toda, conseguindo separar as coisas sem se atropelar nos sentimentos, e não pretendia voltar ao que era antes.
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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

SURGINDO NOVOS RUMOS.


            Vera acordou cedo aquela manhã, tomou um banho e pediu para que seu motorista passasse na casa de Vanessa, estava ansiosa para saber sua resposta, sem perceber o tamanho do seu estado emotivo, pois também não dormiu direito a noite, estava preocupada com ela, não conseguia entender o motivo daquela preocupação, afinal, ela era apenas uma ex-funcionária, mas que, no entanto, não a tirava do pensamento.
            Talvez a forma pela qual elas se conhecessem, fosse uma razão muito forte e marcante, Vanessa demonstrou muita segurança e determinação, era uma mulher que sabia o que realmente queria da vida, e lutava pelos seus direitos. Provou, contudo que não tinha medo de enfrentar qualquer obstáculo que a vida lhe impor.
            Já na casa de Vanessa, ela entra a moça a convida para tomar café, Vera fica em dúvida se aceitava ou não, mas acaba indo até a cozinha com ela para acompanhá-la, mesmo já tendo tomado seu café da manhã.
            A mesa não era farta como em sua casa, mas havia café com torradas, suco de laranja e um prato com mamões fatiados, sua fruta preferida.
            Vera se serviu, sentiu-se à vontade diante daquela simplicidade que fazia daquele lugar um mundo diferente do seu, que era cercado por empregados que a serviam todos os momentos, uma mesa em abundância que nem mesmo ela conseguia dar conta de comer todas aquelas frutas que acabavam sendo jogadas fora.
            - Então, o que você resolveu? Quis saber ansiosa.
            - Eu não sei dona Vera, depois de tudo o que aconteceu entre eu e o Roberto, não sei se terá clima no ambiente de trabalho.
            Vera ficou triste, mas não demonstrou, tentou convencê-la a mudar de idéia, precisava levá-la para junto de si, não sabia ao certo qual o motivo que a fazia agir daquela maneira, mas logo mudou de assunto.
            - Você já tem outro serviço em vista? Quis saber.
            - Ainda não, por enquanto eu estou trabalhando aqui em casa mesmo.
            - É? E o que você está fazendo?
            - Eu faço alguns trabalhos para empresas, dou aulas de computação nos finais de semana, e assim vou tentar sobreviver até conseguir um emprego fixo.
            - Você entende bem de computação?
            - Bem, eu me viro!
            - Posso ver alguns dos trabalhos que você já fez as empresas?
            - Claro, vamos até o meu mini estúdio.

            As duas vão até a outra sala, Vera fica impressionada com o lugar, o quarto era um pouco apertado, mas muito aconchegante, os computadores estavam ligados, em cima da prancheta, haviam alguns desenhos rabiscados, Vanessa mostrou a ela seu último trabalho, era o layout de uma empresa que estava para lançar um novo produto no mercado, ela ficou encantada com o que viu, foi quando teve uma ideia.

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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Vanessa se levanta, caminha pela sala passando as mãos na cabeça, como se estivesse procurando arrancar alguma decisão de seu cérebro. Suspirou fundo, pensou, pensou e não chegou a nenhuma decisão. Quando resolveu falar, o telefone toca e ela pede licença para atender.
            Enquanto falava ao telefone, as duas mulheres ficaram em silêncio ouvindo toda a conversa. Vanessa conversava com um cliente que procurava saber se ela havia terminado um trabalho que tinha encomendado.
            - Está quase pronto, respondeu ao cliente, assim que eu o terminar levarei até o senhor, obrigada.
Ao desligar o telefone, Sueli e Vera se levantam para ir embora.
            - Gostaria que pensasse primeiro antes de responder. Prometa que irá pensar? Quis saber Vera enquanto pega em sua mão para se despedir.
            - Está bem, eu prometo!
            - Amanhã nós voltaremos para saber a sua resposta. Falou Sueli quando deixou a casa junto com sua patroa.
Naquela noite, Vanessa não conseguiu se concentrar nos ensaios com sua banda pediu desculpas, e mandou-os continuarem sozinhos, depois foi para casa descansar.
            Estava incomodada com alguma coisa que não sabia o que era, rolou várias vezes na cama, não conseguia dormir. Sentiu uma aflição dentro do peito, uma saudade de alguma coisa que não chegava à sua lembrança.
            Levantou e foi até a cozinha beber água, estava com muita sede. Pensou na visita que Vera havia lhe feito, e não estava acreditando que sua antiga patroa tinha lhe procurado somente para lhe oferecer o seu emprego de volta.
            Ela que sempre achou Vera uma mulher muito distante dos seus funcionários, e que não se misturava aos mesmos, estranhou aquela visita repentina.
            Pensou em agarrar aquela oportunidade única, pois não sabia se a sorte bateria outra vez em sua porta. Mas pensou em Roberto, como seria trabalhar novamente ao seu lado depois de tê-lo agredido fisicamente, não pretendia inclinar-se a ele.
            Era realmente uma situação muito difícil de resolver, mas também, ela precisava do emprego, teria que deixar o orgulho de lado e ser humilde, afinal, a humildade era tudo o que seus pais tentaram pregar a ela quando eram vivos.

Voltou a se deitar, estava transpirando, nervosa sem motivos, talvez por emoção de que alguém reconhecera que ela trabalhe bem, estava se sentindo valorizada, e ao mesmo tempo com medo, e já era de madrugada quando conseguiu dormir.

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terça-feira, 13 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Já era quase cinco horas da tarde quando a companhia da casa de Vanessa tocou e Rodrigo quem foi atender a porta.
            Ao abri-la, surpreendeu-se com duas mulheres bonitas que procuravam por Vanessa. Mandou-as entrar e sentar-se, que iria chamá-la.
            Minutos depois ela chega à sala, um pouco sem jeito, pois trajava apenas short e camiseta, estava descalço e muito a vontade.
            - Dona Vera, falou surpresa, Dona Sueli, o que vocês fazem aqui?
            - Bem, respondeu Sueli. Viemos conversar com você.
            - Já sei, falou sem antes saber do que se tratava.  Vocês vieram aqui para me dizer que eu tenho que pagar a máquina que quebrou na hora da briga.
Vera olha para Sueli e sorri, mas não diz nada, apenas observa-a e fica se lembrando do dia em que aconteceu a briga, no fundo, estava encantada com a valentia da garota, passou a admirá-la desde aquele momento.
            - Não é isso que viemos fazer aqui. Respondeu Sueli.
            Então a diretora de Marketing explica o motivo que as levaram até a sua casa, dizendo que cometeram uma injustiça despedindo-a daquela forma.
            Vanessa se desculpou pelo ocorrido e falou sobre o abandono que a fábrica estava vivendo a falta de segurança para com os operários, e que a ausência da direção dentro daquele setor, estava prejudicando o serviço e abrindo espaço para que alguns chefes comandassem à sua maneira, e que isso poderia prejudicar a empresa.
            - Não leve a mau o que eu vou dizer dona Vera, mas, se eu fosse a dona daquela fábrica, daria mais atenção, não deixaria tudo nas mãos de empregados. Acontecem coisas lá dentro que nem chegam ao conhecimento da diretoria!
            Vera teve que concordar com a moça, já que estava se distanciando da empresa por motivos pessoais, e disse que iria tomar mais cuidado.
            - Gostaria que você voltasse a trabalhar para mim.
            Pediu a empresária com a voz firme e o olhar profundo, vendo dentro dos olhos de Vanessa, para saber qual seria a sua resposta.

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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

UMA VISITA INESPERADA.



            Enquanto esperava a resposta de emprego do patrão de Rodrigo, Vanessa resolveu fazer outro serviço extra, comprou todos os materiais para fazer estamparia em camisetas, passou em uma loja de tintas, escolheu algumas cores alegres depois voltou para casa.
            Limpou a velha prancheta de desenho e resolveu criar alguma coisa, pensou, fez alguns esboços, mas não gostou de nenhum deles, mesmo assim, pendurou-os na parede talvez fossem úteis mais tarde para algum trabalho. Não estava muito inspirada aquele dia, então desistiu, ligou o computador e conectou-se à internet, adorava ficar teclando no bate papo, mas, nem bem entrou na sala a companhia toca, ela vai atender.
            Ao abri-la, assustou-se com Rodrigo estancado a sua frente em seu horário de trabalho.
            - O que aconteceu, não foi trabalhar hoje?
            - Fui, mas tirei o resto do dia de folga para ficar com você.
            - Que romântico! Entra.
            Ficou muito feliz ao vê-lo, já que estava se sentindo sozinha, os dois foram para o estúdio conversar.
Rodrigo pediu para ser dispensado do serviço, alegando ir ao médico, somente para ficar com Vanessa, e aproveitar para adiantar alguns trabalhos que haviam começado.
            Ele era um rapaz muito bonito, cabelos negros, olhos claros, pele morena, tinha 1,75 de altura, muito delicado e atencioso. Gostava de Vanessa como uma irmã, nunca teve interesse por ela como mulher, eram amigos de verdade.
            Rodrigo era homossexual assumido, tinha uma relação amorosa com um homem casado, porém, nada público, os dois se encontravam na casa dela sempre que se encontrava em situações difíceis.
            - E o seu patrão, conversou com ele?
            - Conversei amiga, mas ele disse que por enquanto, o máximo que pode fazer é lhe dar trabalhos da empresa para que você os faça, eu até trouxe alguns que ele me pediu. Mas prometeu que vai ver se consegue alguma colocação dentro da empresa futuramente.

            - Bom pelo menos já é uma esperança!
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domingo, 11 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

No restaurante, Vera e Sueli conversam descontraídas enquanto o almoço não chega a empresária de vez enquanto relembra de sua namorada, pois sempre iam naquele lugar para almoçar ou jantar.
            - Desculpe-me pela franqueza, mas a Luciene não merece o seu sofrimento.
            - Eu sei disso minha amiga, só que, o meu coração não sabe!
            - Por que você resolveu não os mandar embora? Não vai me dizer que ainda tem esperança de voltar?
            - Claro que não, e mesmo que eu quisesse, não seria a mesma coisa, perdeu todo aquele encanto que eu sentia por ela. Estou muito machucada, nunca mais eu vou querer saber de me apaixonar, chega! Deus me livre, prefiro ficar sozinha.
            - Também não é assim, de repente você poderá encontrar alguém que a ame de verdade, a sua alma gêmea, não podemos prever o nosso destino.
            - Acho que eu não vou conseguir amar mais ninguém.
            - Sabe o que eu acho? Eu acho que você nunca amou Luciene de verdade, o que aconteceu é que você se encantou com a beleza dela, se apaixonou, mas não chegou a ter amor por ela. Entende?
            - Você é muito engraçada Sueli.
            - É verdade, escreve o que eu estou lhe dizendo, amanhã, quando você conhecer outra pessoa e se apaixonar vai me dar razão. Disso eu entendo!
            - Eu não quero mais ninguém na minha vida, o meu coração está trancado e aviso, perdi as chaves.

            As duas sorriem do gracejo, e logo o garçom chega para servi-las.

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sábado, 10 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Juliana aproveita o horário do almoço e vai até o escritório e pede para conversar com Sueli, que ainda estava em sua sala, e logo a recebe.
            - Sente-se Juliana, o que você deseja?
            - Desculpe-me incomodá-la dona Sueli à esta hora, mas é a respeito do que aconteceu ontem com a Vanessa. Por favor, conversa com a dona Vera, peça a ela para reconsiderar, e readmiti-la novamente.
            - Eu não sei se a Vera irá fazer isso, ela agrediu o Roberto, e, apesar de tudo, ele era o seu chefe.
            - Eu sei que eu não deveria me envolver, mas vocês não deram nenhuma chance para ela se defender.
            Vera entra na sala no momento em que Juliana está defendendo a amiga.
            - Algum problema Sueli?
            - Ainda bem que chegou Vera, a Juliana veio pedir para que você reconsidere a demissão da Vanessa e aceite-a de volta.
            - Foi ela quem mandou você vir aqui pedir isso?
            - Não senhora! Eu nem sei se ela aceitaria caso à senhora aceitasse readmiti-la, estou pedindo por conta própria. Estou muito preocupada, está difícil de conseguir emprego. Desculpe-me dizer isso, mas a senhora não deu chance a ela para se defender.
            - Bom, eu prometo que vou pensar no assunto, está bem?
            - Obrigada, com licença.
            Juliana sai, Vera senta-se na cadeira com uma ficha nas mãos, que logo entrega para que a diretora de marketing as examine.
            - O que é isso Vera?
            - É a ficha da Vanessa, acho que cometi uma injustiça Sueli.
Veja você. Ela era uma ótima funcionária.
            - Muito boa sua ficha, nunca faltou, e ainda dava produção! Isso é raro hoje em dia.
            - E tem mais, eu soube que era o Roberto quem a perseguia. Um pouco ele tinha razão, ela é uma garota tinhosa e não aceitava ser mandada por ele.
            - E agora, você vai readmiti-la?
            - Eu não sei, preciso pensar.
            - Eu vou te confessar uma coisa Vera, essa moça cresceu no meu conceito, eu adorei vê-la acertar o nariz do Roberto, cá para nós, ele é muito metido a besta. Você sabe que eu não gosto dele.

            - Bom, depois nós resolveremos sobre esse assunto, agora vamos almoçar.

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

QUANDO NEM TUDO ESTÁ PERDIDO.



            Vanessa acordou cedo, mesmo sabendo que não ia trabalhar, precisava terminar alguns trabalhos, já que estava desempregada, tinha que correr atrás de clientes para se sustentar.
            Estava um pouco triste, mas conformada, pois, sabia que cedo ou mais tarde teria que deixar a empresa em razão da perseguição de Roberto. Teve saudades das suas amigas, e voltou o pensamento na empresa em que fora demitida.
            Era quase dez horas da manhã, quando sentiu falta do cafezinho de dona Clotílde, pois, todo o dia naquela mesma hora sempre dava um jeito de subir até o escritório escondida para tomar um cafezinho, a copeira era como se fosse sua mãe, gostava dela como uma filha, e por várias vezes escondeu-a dentro do banheiro para que não fosse apanhada por Vera e Luciene que as vezes iam até a cozinha comer ou beber alguma coisa para fugirem da rotina.
            Ela sorri das coisas que aprontava, das brincadeiras que fazia com as amigas mais próximas, dos momentos em que se reunia com Dado e Juliana no estacionamento da fábrica no horário do almoço, ligava o toca fita do carro e ficavam ensaiando alguns passos de dança, chegou até a sentir falta das brigas que tinha com Roberto, apesar dos pesares, até que se divertia com tudo isso.
            Mas, logo voltou a si, e resolveu ligar para seu amigo Rodrigo e lhe contar que estava desempregada.
            - Eu não acredito! Falou assustado. E agora, o que você vai fazer?
            - Por enquanto eu não sei ainda, será que não tem uma vaga aí na empresa onde trabalha?
            - Eu não sei, mas posso conversar com o meu patrão, ele gosta muito dos seus serviços, acho que poderá lhe dar um emprego.
            - Faça isso por mim meu amigo.
- Pode deixar, ele está viajando e só volta amanhã no final da tarde, assim que chegar eu converso com ele.

            - Ok, eu vou aguardar, até mais tarde. Beijos!

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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

No escritório, Vera estava em sua sala conversando com Sueli a respeito de um novo contrato quando Roberto pediu para ser recebido, ela mandou-o entrar logo para saber o que havia acontecido. Logo atrás, Vanessa entra sem ser anunciada, a secretária tenta impedi-la, segurando-a pelos braços, até o office-boy banca um de segurança.
            - Me solta! Diz nervosa.
            - Mas, alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? Quis saber a executiva assustada com aquela cena.
            - Esta mulher enlouqueceu, me agrediu só porque eu a mandei trabalhar.
            - É mentira! Novamente parte para cima dele, desta vez Sueli intervém. Eu vou arrebentar a sua cara seu mentiroso, por que você não conta a verdade para ela? Seja homem, e não moleque!
            - Calma gente, vocês estão nervosos eu não estou entendendo nada do que estão falando. Fale um de cada vez, mas, por favor, sem violência.
            - Tudo bem, desde que ele conte a verdade.
            Sueli deixa-a livre, Roberto senta-se, mas Vanessa prefere ficar em pé. Ele começa a contar o que havia acontecido só que na sua versão, enquanto Vanessa anda em círculo impaciente, contando para não se descontrolar, Vera apenas a observa.
            - Ela não me respeita como chefe! Finaliza ele.
            - Em primeiro lugar quem tem chefe é índio, eu já cansei de dizer isso a ele, e depois, a empresa não oferece segurança nenhuma aos funcionários, esses dias mesmo uma funcionária quase perdeu o dedo da mão, eu tentei ajudá-la, e ele virou um “bicho”, gritou comigo como se eu fosse sua filha, querendo se aparecer diante de todos.
            Os dois começam a discutir, Vera fecha os olhos, quase não acreditando no que estava acontecendo, quando de repente, em meio à confusão, ele sugere que a empresária a mande embora.
            - Chega! Falou alto e em bom tom. Eu não vou admitir esse tipo de confusão dentro da minha empresa, após uma pequena pausa. Eu sinto muito, se essa situação chegou onde está eu terei que demitir você.
            Falou olhando dentro dos olhos de Vanessa que a encarou fixamente sem desviar o olhar, desapontada, quase arrasada, estava sem chão, viu todos aqueles anos dedicado à empresa passar em sua frente como um flash, sentiu-se desvalorizada, não tinha mais nada a perder além do que havia perdido, o emprego.
            - Tudo bem, respondeu, passando a mão na cabeça, hábito contínuo quando fica muito nervosa e sem controle. Já que eu fui despedida, quero ser demitida por justa causa.
            Sem que eles esperassem, num gesto transitório, ela partiu para cima de Roberto, e desferiu-lhe um soco em seu rosto. Foi preciso segura-lo também para que não reagisse.
            - Agora a senhora pode me demitir com razão. Depois sai empurrando todos que estavam em seu caminho.
            Vera ficou perplexa, nunca tinha assistido a uma cena daquela, uma mulher batendo em um homem, não sabia o que fazer, queria rir, mas conteve-se diante de Roberto que estava envergonhado, mas que logo pediu licença e deixou a sala cabisbaixo e com a mão no queixo.
            Naquele dia, não se falou em outra coisa na fábrica. Roberto passou a ser motivo de chacota entre os outros funcionários.

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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Vanessa trabalhou quieta aquele dia, Roberto mandou-a para outra seção substituir um funcionário que havia faltado por motivos de saúde. Viajou em pensamentos a manhã inteira, viu-se cantando em programas de televisão, dando entrevistas, e fazendo shows em grandes estádios.
            Estava inspirada, e na hora do almoço, apanhou um bloquinho que carregava consigo, e foi sentar-se no pátio da fábrica, perto do estacionamento, embaixo da sombra de uma árvore. Desligou-se daquele lugar, e se transportou mentalmente para o infinito, estava carente, parecia que lhe faltava algo, sentiu vontade de colocar no papel tudo aquilo que estava sentindo, então escreveu com a alma e o coração.
            Suas poesias eram suaves e ao mesmo tempo, pesadas, às vezes chegavam a ser pornográficas fazendo escárnio de suas próprias sensações, contudo, ela não se importava com o que as pessoas diziam. Quem as lesse, acharia que ela era “tarada” ou coisa parecida, sem perder o lado romântico. No fundo ardia dentro daquela mulher uma chama quente, ardente como o fogo do desejo dos apaixonados, afogando-se em malícia e desordem.
            Estava tão distraída que nem ouviu o sinal tocar, só se deu conta, quando Roberto aproximou-se dela advertindo-a.
            - Eu vou lhe dar três dias de suspensão. Da próxima vez vou mandá-la embora.
            Ela se levantou e olhando-o em seus olhos respondeu:
            - Faça o que quiser, eu estou de saco cheio de você!
            Vanessa entra na fábrica e vai trabalhar, Roberto vai atrás e aproveita a ocasião para aparecer diante das outras funcionárias, gritando em voz alta.
            - Você tem que me respeitar garota, eu sou o seu chefe!
            - Quem tem chefe é índio! Respondeu irritada, jogando a peça que estava fazendo no chão. Se você quiser me mandar embora, que seja agora!
            Ele sorri irônico, e bate palmas.
            - Que lindo! Meus parabéns olha aí, estão todos te olhando, pensa que está em cima daquele poleiro que você chama de palco.
            Ao ouvi-lo dizer isso, ela parte para cima dele empurrando-o por cima das máquinas, derrubando-o no chão, depois se joga sobre o seu corpo quase cega de ódio, os funcionários seguram os dois, separando-os.
Roberto se levanta, coloca a mão na testa que estava sangrando devido ao corte que se fez ao cair e bater a cabeça no canto de uma das máquinas. Então sai em direção do escritório.
            Vanessa pede para que a soltem, e vai para o vestuário arrumar suas coisas, Juliana vai atrás para acalmar a amiga.
            - Aonde você vai Vanessa?
            - Eu vou embora desse lugar, estou cansada de ser humilhada pelo Roberto, eu não preciso passar por isso!
            - Pensa bem, você poderá se arrepender, emprego está difícil minha amiga.

            - Eu já sei o que eu vou fazer. Diz isso e sai atrás de Roberto.

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terça-feira, 6 de junho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

A DEMISSÃO.


            A semana começou um pouco agitada, Vera voltou da fazenda mais serena e com outras idéias, participou de uma reunião assessorada por Letícia, secretária de Sueli, já que tinha afastado a sua secretária e ex-namorada do cargo.
Logo depois mandou chamar Marcelo e Luciene em sua sala e pediu para que eles se demitissem, pois não fazia mais sentido os dois trabalharem na empresa depois de tudo o que havia acontecido. O rapaz que era branco estava com o rosto todo avermelhado, pensou que ela já havia esquecido o ocorrido, levantou-se de súbito, e pediu, quase implorando.
            - Por favor, Vera, eu preciso deste emprego, não me mande embora. Tenho dois filhos para criar.
            Apesar de magoada, era muito sentimental, principalmente quando se tratava de criança, pensou por alguns instantes, suspirou fundo, e falou:
            - Está bem, eu vou pensar. Agora pode ir.
            Os dois se levantam, mas Vera pede para que Luciene fique. Marcelo então deixa a sala aborrecido e preocupado.
            - O que você pretende com isso Vera?
            - Eu? Nada! Eu só acho que não faz mais sentido vocês trabalharem aqui comigo, na minha empresa!
            - Eu sei que você está magoada comigo, mas nós não tivemos culpa, aconteceu, estamos apaixonados! Eu não posso mandar no meu coração.
            - Tudo bem, eu até te entendo. Mas, se coloque no meu lugar, como você reagiria?
            - Vera, me perdoe se eu te magoei, mas eu tentei te dizer várias vezes que não estava apaixonada por você, mas você nunca quis me ouvir... Levantou e caminhou pela sala buscando palavras amenas para confortá-la e não perder o emprego. Eu não queria que acabasse assim dessa forma, eu fui covarde, mas estava esperando uma oportunidade para lhe contar tudo, acredite em mim. Vamos ao menos ser amigas, por favor!
            Diz aproximando-se dela, levando as mãos em direção dos seus cabelos, porém, Vera recusa seus carinhos.
            - É melhor você voltar para o seu serviço.
            - Tudo bem. Concorda sem graça. Ao menos prometa que vai voltar atrás em sua decisão?
            - Eu vou pensar! Agora me deixa sozinha que eu preciso trabalhar.
            Luciene sai da sala e fecha a porta, Vera debruça a cabeça sobre a mesa e chora baixinho toda a dor de um sentimento que estava se misturando a um novo que florescia como ódio dentro do seu coração.

Continua...
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