segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Ela estava arrasada com o que havia presenciado e ouvido naquela cidade, não se conformava com o preconceito daquelas pessoas, que por um momento chegaram a vaiá-la durante o show, chamando-a de “sapatão” e dizendo as maiores barbaridades, e para sufocar os rumores, cantou sem interrupção.
            Os homens eram os que mais faziam gracejos, dizendo que ela precisava se deitar com eles para nunca mais querer saber de outra mulher. Não reagiu aos insultos, já que não entenderiam nunca que no amor não existe cor, preceitos ou tabus, desde que ele seja vivido intensamente com o coração limpo e a alma pura, tentou esquecer tudo e adormeceu no banco do passageiro.
            Chegou em casa já era de madrugada, Vera estava acordada lendo um livro enquanto esperava por ela, pois não dormia direito todas as vezes que Vanessa viajava, preocupada com os perigos que escondiam as estradas.
            Entrou no quarto e se jogou em cima da cama, abraçando-a com força, estava com as mãos frias, e tremia sem parar. Não conseguia explicar aquela reação, que estava invadindo o seu ser, sentiu medo e chorou como uma criança.
            Como já sabia o que havia acontecido, pois se falaram minutos depois do show, Vera tentou consolar com palavras amenas, já que enfrentou isso a vida toda e estava acostumada.
            Vanessa sentiu vontade de parar de cantar, queria fugir daquelas pessoas que a apedrejavam, sem que ela tivesse feito alguma coisa.
            - Você não pode fugir meu amor, é preciso enfrentar a realidade, com o tempo, você se acostuma e as pessoas também. Venha, vamos tomar um banho bem gostoso, depois vamos comer alguma coisa, você não está com fome?
            - Estou!
            Tomaram um banho, desceram até a cozinha e esquentaram a comida que Camélia havia preparado e deixado na geladeira para quando Vanessa chegasse.
            - Você está arrependida?
            - Claro que não amor. Eu ainda não estou acostumada com tudo isso.
            - Espero que isso não afete o nosso relacionamento.
            - Pode ficar tranqüila, amanhã com certeza eu vou amanhecer melhor.
            - É verdade, amanhã é outro dia, e nada como um dia atrás do outro, e uma noite no meio, não é? Sorriu, beijando-a.

            Foram para o quarto e deixaram o mundo paralelo do lado de fora da porta, conversaram muito até chegar o sono, depois adormeceram abraçadas.
Continua...
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domingo, 13 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.


ENFRENTANDO O PRECONCEITO.


            A noticia do casamento de Vanessa com a empresária mais conhecida no mundo empresarial vazou através de uma nota dada em um jornal, por uma repórter sensacionalista que fez questão de exibir em uma pequena montagem, suas fotos.
            Vera estava no escritório quando viu a manchete, ficou feliz, afinal, queria que o mundo soubesse que ela estava amando, porém, Vanessa não gostou da brincadeira da jornalista que havia citado comentários maldosos em relação ao enlace.
            Vanessa achava que ainda não era o momento de vazar aquela notícia, não porque tinha medo da reação das pessoas, e sim, pela forma em que ela fora publicada, sem permissão das partes interessadas e recheada de controvérsias.
            Ligou para o jornal e pediu para conversar com a repórter que foi logo se desculpando, explicou que isso poderia até ajudá-la em sua carreira.
            - Escuta aqui, eu quero conseguir alguma coisa na vida, por méritos próprios, e não através de fofocas.
            - Fofocas? Perguntou a repórter. Mas não é verdade que vocês se casaram?
            - Esse assunto só interessa a nós, ninguém tem nada a ver com isso, entendeu?                                                                                                                                    
            Desligou o celular nervosa, Roberval que estava dirigindo o carro ficou assustado, nunca a tinha visto tão brava daquele jeito. Eles estavam indo para uma cidade vizinha realizar uma apresentação.
            À noite, antes de começar o espetáculo, Vanessa pode sentir os efeitos daquela notícia, algumas pessoas a olhava com receio, a casa não estava tão cheia, mas mesmo assim, ela fez o show como se nada tivesse acontecido.
            - Acha que isso irá prejudicar a minha carreira, Roberval?
            Quis saber quando estavam no camarim.
- Só iremos saber daqui para frente.
            Algumas pessoas foram até o camarim tirar fotos com ela, e alguns repórteres da cidade tentaram invadir a sala para entrevistá-la. Foi preciso os seguranças interferir.
            Quando deixava o ginásio onde se apresentara, ela fora cercada por jornalistas e fotógrafos que queriam saber se era verdade que havia se casado com outra mulher.
            - Você é lésbica? Perguntou um jornalista baixinho e inconveniente.

            Roberval e os seguranças foram abrindo caminho para que ela passasse, e sem nada dizer, entraram no carro e foram embora.
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sábado, 12 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Havia poucas pessoas presentes, mas elas fizeram daquela noite uma grande festa sem muito exagero, Roberval foi apresentado para Verônica, que se encantou com ela, era solteiro, estava se aproximando da casa dos quarenta anos, forte, bonito e educado. Boa pinta o rapaz!
De longe Vanessa observava os dois e torcia para que pintasse alguma coisa entre eles, Vera aproximou com duas taças de champanhe, e deu uma a sua namorada.
            - Eu não quero amor. Você se esqueceu que eu não bebo?
            - Só hoje, meu bem. Vai, beba só um pouquinho, senão, não tem graça você não tomar da bebida que representa o amor dos enamorados?
            - Está bem. Elas fizeram um brinde especial.
Vera gostava muito de beber e fumar, já ficara muitas vezes embriagada junto com Luciene, porém, depois que conheceu Vanessa, passou a evitar o cigarro e a bebida, somente para agradá-la, e também porque a outra não gostava muito que ela bebesse ou fumava, sempre que a pegava fumando, tirava o cigarro de sua boca e pedia para não fumar perto dela, nem mesmo beber ao extremo, um copo bastaria para matar a vontade. Pensava assim.
- Meus parabéns, espero que sejam felizes.
            Falou Roberval as duas, desejando sorte, Vanessa não perdeu tempo para zombar do empresário, que já era seu amigo.
            - Acho que vamos ter outro casamento em breve.
            - Imagina. Respondeu tímido.
            - Olha Roberval, eu vou ter o maior prazer em tê-lo como cunhado.
            - Vocês duas estão vendo coisas. Com licença!
            Roberval saiu e foi em direção de Verônica, que logo se aproximou para conversar, os dois deixaram a sala e foram para o jardim conversarem a sós.
            Na hora em que foram partir o bolo, Vanessa pediu que a deixassem dizer algumas palavras. Falou do seu amor por Vera, e que estava muito feliz, prometeu que nunca a deixaria, a não ser que a morte as separasse.
            - “Eu vou protegê-la com a minha própria vida”.
            Disse olhando em seus olhos, e emocionada, Vera chorou abraçando-a. Todos bateram palmas, então a moça pegou o violão e cantou uma canção, depois, fez uma homenagem a ela, já que estaria aniversariando naquele dia.
            - Eu não acredito! Como você soube que era o meu aniversário?
            - Um passarinho me contou!

            Vanessa deu a ela de presente, uma linda joia que mandara fazer especialmente para aquela data. Uma gargantilha, com duas bonecas miniaturas partindo o bolo, em forma de pingente, e um cartão contendo a última rosa que usara em seu espetáculo.
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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.


A CERIMÔNIA.


            Verônica estava com o casamento em crise, tinha uma filha de quatro anos de idade que se chama Rafaela, e, naquela ocasião deixara com a sogra para vir ao casamento da irmã.
            Seu marido, Leonardo, é um homem ignorante, machista e violento, às vezes chegando a bater nela. Já estavam separados de cama, mas mantinham a aparência em razão da pequena filha, para que a mesma não sofra. Porém, sua vontade é de se separar, dar o seu grito de liberdade.
            - Se, por acaso você não tiver para onde ir minha irmã, pode vir morar aqui em casa, falou Vera consolando-a. Você não se importa não é amor? Consultando Vanessa logo em seguida.
            - Claro que não, você será bem-vinda, e a sua filha também, gostaria de conhecê-la.
            - Você poderia vir trabalhar comigo na empresa. Estou precisando mesmo de alguém para me substituir.
            - Por quê?
- Eu quero ter mais tempo para ficar com a Vanessa, viajar acompanhá-la nos shows.
            - Verdade? Perguntou Vanessa surpresa e feliz com a idéia.
            - Verdade!
            - Então nem vai embora Verônica, fique aqui. Falou sorrindo.

            - Eu vou pensar seriamente nisso minha irmã, eu preciso conquistar a minha liberdade antes que seja tarde demais!
Os dias passaram depressa, e finalmente chegou o grande dia do casamento.
            Convidaram um padre que é muito amigo da família para realizar a cerimônia, nada tão formal, Roberval e Sueli também compareceram, pois não tinham preconceitos, elas casaram-se e receberam a benção divina, mesmo contra os princípios da igreja católica, já que o sacerdote foi por contra própria.
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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Vanessa chegou pela manhã, Vera já estava acordada e a esperava para tomar café. Enquanto ela tomava banho, a empresária desceu e mandou preparar uma bandeja, pois iriam tomar café no quarto, subiu e entrou no chuveiro para acompanhá-la.
            Estavam com tanta saudade, que um dia seria pouco para recuperar o tempo em que ficaram separadas. Precisavam sonhar “fazer de conta” mais uma vez que estavam em algum lugar mágico, não que precisassem disso para atiçar os seus desejos, mas, para dar mais encanto ao momento, para que em todos os faz de contas, fosse lembrado com ternura.
            Amaram-se como se fosse à primeira vez em suas vidas, era assim que funcionava o faz de contas, como em todo momento íntimo, fosse a primeira vez, como se estivessem se conhecendo e se descobrindo naquele instante.
            Algumas horas depois, elas descem dona Carmem e Verônica já estavam acordadas, e conversavam na sala, Vera aproxima-se segurando a mão de Vanessa e à apresenta as duas.
            - Eu quero que vocês conheçam o grande amor da minha vida.
            Apresentou-a enquanto ajeitava os cabelos de sua amada que caiam em seu rosto, um pouco envergonhada ela cumprimenta as duas, depois se senta ao lado de sua namorada.
            - Parabéns minha filha, ela é muito bonita.
            - Para com isso, falou Vanessa com o rosto avermelhado. Eu não sou bonita!
            - É sim meu amor. Beijando o seu rosto.
            - Vera nos disse que você é cantora, perguntou Verônica, como foi o show de ontem?
            - Cada dia está melhorando, só não foi melhor ainda por que a Vera não estava comigo.
            Conversaram muito, quando à tarde, foram para o shopping, porque Vanessa queria comprar roupas novas para completar o seu guarda roupa.
            Dona Carmem observou o tempo todo a felicidade da filha, que parecia uma criança descobrindo um mundo novo, Verônica também se contagiou e passou a participar das brincadeiras que elas faziam onde iam.
            Apesar de o sorvete estar gelado, Vanessa lambuzava os dedos e passava no rosto das meninas para pintá-las como índias, diziam estarem perdidas em uma selva de pedra, elas eram as índias, as pessoas que passavam não entendiam nada, ficavam olhando, algumas indignadas, outras riam.

            Foram ao banheiro para lavar o rosto, e retocarem a maquiagem, depois voltaram para a casa feliz.
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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

O tempo foi passando, e a cada dia, aquele sentimento se multiplicava, elas já acreditavam que eram almas gêmeas, tinham tanta convicção disso, que, podiam adivinhar o que a outra sentia ou estava pensando, mesmo estando longe.
            A empresária passou a anotar em um diário todos os momentos felizes que passava ao lado de sua amada, e a cada página, colocava uma rosa vermelha que ganhava de Vanessa todas as manhãs.
            Um dia, Vera apareceu com a ideia de casar, um casamento simbólico, somente para que tornasse ainda mais real aquele enlace e fortificasse ainda mais aquela relação, um faz de contas verdadeiras. Comprou um par de alianças, e marcou a data, convidou algumas amigas íntimas, mandou buscar sua mãe e sua irmã para estarem presentes a este acontecimento tão importante em sua vida, e também para apresentar Vanessa a elas.
            Dona Carmem, sua mãe, e Verônica, sua irmã vieram alguns dias antes para conhecerem melhor a nova integrante da família Hortídez, quando chegaram, Vanessa estava viajando, fazendo show em outra cidade e só voltaria no outro dia, Vera acomodou-as em seus aposentos e na hora do jantar, as três comeram depois foram para a sala conversar.
            - Espero que você tenha certeza do que está fazendo minha filha. Falou a mãe preocupada com a sua felicidade.
            - Mãe, eu nunca fui tão feliz em toda a minha vida.
            Realmente, dona Carmem, pela primeira vez estava vendo-a esbanjando felicidade, achou-a até mais jovem e paciente.
            - É, respondeu. Acho que essa moça está fazendo muito bem a você, minha filha.
            - Eu estou louca para conhecer a minha cunhada! Falou Verônica sorridente.
            - Eu tenho certeza que vocês irão adorá-la.
            - Que chique! Brincou a irmã muito simpática. Ainda por cima é cantora.
            - Eu tenho certeza de que ela ainda será muito famosa.
            Respondeu Vera com saudades, não via a hora de abraçá-la, senti-la tocando o seu corpo, ligava varias vezes para conversar e reclamar sua ausência.

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Felicidade tem prazo de validade.

            Vera estava decidida a levar Vanessa para morar em sua casa, não queria mais ficar um só minuto longe dela, conversaram muito sobre esse assunto, até que a moça acabou aceitando o convite. Porém, antes queria reformar a casa para recebê-la com todas as honras que merecia.
            Planejaram juntas como seria feito a reforma que começaria pelo quarto e o banheiro, depois, no resto das dependências. Escolheram os materiais a serem usados, e contrataram uma decoradora.
            O CD foi lançado em grande estilo, Roberval e Vanessa percorriam as rádios, revistas e jornais para divulgarem o trabalho quase não tinha tempo para aparecer na empresa.
            Mudou-se tão logo para a casa de Vera, assim que a reforma terminou, e, em sua primeira noite como moradora da casa, elas não poderiam deixar por menos, fizeram uma festa, só que particular.
            Desta vez, não foi preciso destruir a grama, pois todos os dias elas tinham uma nova idéia, gostavam de diversificar para não deixarem que o relacionamento caísse na rotina.
            Entraram na banheira de hidromassagem para navegarem em mar aberto, o vento estava bem fresco e úmido, Vanessa, era a capitã do navio, fugiam de piratas que tentavam abordá-las, chovia muito naquela noite, e as ondas do mar batiam violentamente no casco do navio, da popa olhando para a proa Vera avisava dos perigos que estavam rondando. De repente, elas são atingidas e o navio é sacudido por uma colisão violenta, então começam a naufragar logo sua namorada cai atordoada.
            - Meu amor, grita Vanessa desesperada. Fale comigo.
            - Acho que, ... falou com dificuldade. Chegou a minha hora. Não se esqueça de me lembrar.
            - Não! Vai ficar tudo bem, eu prometo! Vou cuidar de você.

Vanessa leva-a até sua cabina para cuidar dos seus ferimentos, deixando o navio à deriva. Estavam tão ligadas a aquela fantasia que, por um momento sentiram medo de que tudo aquilo fosse verdade, e, quando na cama, deitadas sobre os lençóis brancos e macios, elas se amaram loucamente para fazer voltar à realidade de que tudo não passava de uma ilusão.
            Continua...
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domingo, 6 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

NAVEGANDO EM MARES INCERTOS.

           
            O tempo foi passando, Vanessa teve o seu primeiro contato com uma gravadora, estava sendo bem orientada pelo empresário, e na hora de escolher as músicas para gravar, pediu que Vera a acompanhasse e a ajudasse na seleção, pois estava um pouco insegura. Incluiu duas canções de sua autoria, uma delas era recente, pois havia composta para sua amada, que se sentiu honrada com a homenagem.
Elas já não conseguiam mais ficar separadas, encontravam-se todas as noites, pareciam estarem vivendo um conto de fadas. Vanessa já não precisava mais pedir a Vera que fechasse os olhos para imaginar o faz de contas, ela já havia aprendido a “magia” e o “encanto” desse mundo chamado felicidade.
            Todos na empresa sabiam que elas estavam tendo um romance, mesmo porque, Vera havia se transformado muito como patroa, estava mais dócil, compreensiva, e já não era tão rígida com eles, e mesmo todos tendo conhecimento da relação entre as duas, elas eram discretas, não viviam se agarrando na frente dos funcionários, se davam ao respeito para serem respeitadas. Algumas pessoas eram indiferentes, outras faziam comentários maldosos em relação à Vanessa que nunca demonstrou em momento algum suas preferências sexuais, enquanto o resto achava legal, mesmo assim, enfrentaram preconceitos. Luciene tentava evitar se encontrar com sua substituta pelos corredores estava inconformada, de vez enquanto provocava-a, mas não obtinha sucesso, porque ela não lhe dava atenção, ignorava-a.
            - Eu vou demitir Luciene, meu amor, falou a empresária uma vez ao flagrá-la provocando Vanessa.
            - Deixe-a, não precisa. Ela só está com dor de cotovelo, não está suportando ver a sua felicidade.
            Vera providenciou para que Vanessa tivesse um telefone celular, já que não ficava muito na empresa, em razão aos compromissos que tinha com a gravação do CD. Queria contratar um segurança e um motorista particular para zelar por sua vida.
            - Não há necessidades, respondeu Vanessa enquanto preparava uma janta especial em sua casa.
            - Esta cidade é muito perigosa, deixe-me fazer este agrado para você, meu amor.
            - Você é quem sabe.
            Adorava sua comida, mas não gostava de vê-la pilotando fogão, nem mesmo fazendo a faxina da casa. Conversou com sua faxineira, e acertou um novo salário para que a mesma fosse três vezes por semana na casa de sua amada cuidar da limpeza, quando a noite, no dia em que não jantavam em sua mansão, elas iam comer em algum restaurante.

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Elas percorrem o jardim agachadas, Vanessa segura na mão de Vera para não se perderem, passam por trás da casa, e vão para o outro lado onde havia muitas árvores. De longe, elas vêem um dos seguranças que fazia a ronda, se escondem atrás de uma árvore.
- Psiu! Pede ela para que não faça barulho. Eu não disse que poderia haver algum animal feroz por aqui. Veja ali perto daquelas pedras.
            - Que animal é aquele?
            - Parece um tigre, e pelo jeito deve estar faminto. Venha, vamos por ali, cuidado com as armadilhas que os caçadores esconderam, estamos em temporada de caça.
            - Olhe, falou Vera ao avistar a piscina. Tem um lago logo à nossa frente, vamos dar um mergulho?
            Elas correm em direção à piscina e mergulham, fantasiando cada detalhe.
            O mundo do faz de conta estava conseguindo trazer de volta tudo aquilo que Vera sempre teve vontade de fazer quando era criança, mas que não pode, já que vinha de uma família de classe média alta e seus pais sempre a privaram de certas regalias infantis, como brincar na terra para não se sujar, quase não tinha amigos, brincava somente com a babá e sua irmã, mas eram brincadeiras diferentes, sempre tiveram de tudo, nunca haviam experimentado a magia de ter que imaginar alguma brincadeira para se divertir.
            Seus pais sempre estavam ocupados, nunca tiveram tempo para brincar com ela e seus irmãos que eram sempre reprimidos por eles.
            Após o banho no lago, elas correram pela floresta, escalaram montanhas, estavam cheias de vida e energia, Vera nunca tinha imaginado que dentro de sua própria casa estava outra parte do paraíso, e que não precisava ir tão longe para encontrá-lo, bastava apenas estar apaixonada pela pessoa certa e na hora certa.
            - Sinto muito pela grama.
            Falou enquanto caminhavam de mãos dadas pelo quintal destruído.
            - Não se preocupe depois eu mando o jardineiro consertar.
            - Você está com frio?
            - Eu não sinto frio ao seu lado.
            Voltaram para a barraca e adormeceram sobre os lençóis, que naquele momento era o saco de dormir.
            O jardineiro iria ter muito trabalho no outro dia para consertar a grama, porém, Vera não estava nem um pouco preocupada, pagava muito bem os seus funcionários para que eles a servissem e que fossem discretos. 
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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Na casa de Vera, Vanessa se encanta com o jardim, apanha duas rosas e retiram os seus espinhos, uma coloca em seu cabelo, e a outra coloca nos cabelos da sua namorada, depois lhe dá um beijo no rosto.
- Feche os seus olhos, agora sinta esse perfume que chega através do ar que beija sua face e a abraça mansamente. Ela pega em suas mãos guiando-a lentamente pelos canteiros floridos, para e pede para que abra os olhos novamente. Olhe, note como as flores estão te olhando, veja sua suavidade, perceba como são delicadas. Ouça, .... Após uma pausa. Estão tentando lhe dizer alguma coisa.
- Posso ouvi-las agora, estão dizendo que estão felizes porque você está aqui.
            - Olha aquela rosa ali, ela está perguntando alguma coisa. Diz indo em sua direção, fica em silêncio, depois traduz o seu linguajar. Está querendo saber onde você gostaria de estar nesse momento?
            - Eu gostaria de estar com o grande amor da minha vida em uma floresta, acampando, longe da civilização.
            - Então porque não vamos para lá agora?
            - Como, amor?
- Eu tive uma idéia, venha só preciso que me autorize a mexer no seu guarda roupa.
            Elas sobem até o quarto, e Vera sem entender nada, a acompanha, Vanessa desarruma todo o armário procurando lençóis, depois pede para que lhe arranje uma lanterna, corda, tesoura e uma faca.
            Vera pediu para a empregada providenciar todas as coisas que ela queria, quando tudo estava a sua disposição, Vanessa dispensou Camélia e disse à sua companheira:
            - Daqui para frente, somos só nós duas. Está preparada?
            - Para onde vamos amor da minha vida?
            - Para a floresta, longe da civilização! Não é lá que gostaria de estar?
            Elas carregam as coisas até o jardim, Vanessa apanha um enxadão e começa a cavar sobre a grama do quintal, enquanto os seguranças e os empregados observavam de longe sem entender nada.
            - Eu não acredito! Falou Vera pasma ao vê-la destruindo sua grama. Você é maluca!
            - Vamos, não faça corpo mole, me ajude aqui, logo irá escurecer.
            Algum tempo depois, Vanessa coloca alguns galhos compridos nos buracos, cobrindo-os com terra. Amarra as pontas dos lençóis e faz uma barraca improvisada. Pede que os empregados apanhem as luzes do quintal, e ascende a lanterna.
            - O que achou da minha barraca?
            - Vamos passar a noite aí? Pergunta rindo.
            - Lógico! Estamos numa floresta, eu não estou vendo nenhum hotel cinco estrelas por aqui para passarmos a noite.
            Vera a abraça com carinho.
            - Meu amor, você não existe!

            - Venha comigo, vamos explorar esse local para ver se estamos seguras aqui. Pode haver algum animal feroz por perto.
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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

- Como você é rápida! Falou rindo.
            - Eu estava aqui em frente quando liguei. Diz entrando. Acho que eu cheguei em boa hora.
            - Quer tomar banho comigo?
            - Hum, ... respondeu fazendo charme. Vou pensar.
            - Então me acompanha enquanto você pensa.
            Puxou-a pela mão levando-a até o banheiro, pediu para que não reparasse na casa que estava um pouco bagunçada, pois todas as vezes que ia tomar banho, tirava as roupas e jogava-as pelo chão, só então, depois é que as recolhiam.
            A cada dia que passava, Vera se envolvia cada vez mais com Vanessa, que parecia possuir uma magia toda especial, era diferente de todas as outras, tentava entender aquele sentimento que experimentava pela primeira vez em sua vida, pois nunca tinha sentido isso com suas antigas namoradas. Tão prazeroso e tão cristalino, que não sabia explicar ao certo se tudo não passava de um sonho, ou se era real.
            Estava calma, cheia de vida, sentia-se como se tivesse dezoito anos de idade, queria brincar como uma criança, não precisava dizer sobre as suas necessidades, Vanessa parecia ler os seus pensamentos e realizava todos os seus desejos, chegava a acreditar que ela era mesmo uma feiticeira, sua doce “maga”, e que havia lhe encantado com feitiços do amor.
            - Quero que você conheça a minha casa. Falou Vera enquanto escovava os seus cabelos.
            - Então vamos lá agora.
            - Agora?
            - E porque não? A noite é uma criança que se perdeu na escuridão e que adotou a lua como sua mãe. E nós somos suas irmãs órfãs.
            - Mas, então a lua não tem família?
            - Se ela tivesse, não sairia sozinha durante a noite. Respondeu sorrindo.
            - Você tem razão, então vamos procurar por nossa irmã extraviada.

            As duas trocam de roupa e saem.
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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.

Vanessa chegou no horário combinado com Roberval, doutor Romeu já a esperava na anti-sala e foram logo atendidos.
            Após uma longa examinada no contrato, o advogado explicou a moça os seus direito e deveres, e deu carta branca para que ela o assinasse despreocupada.
            Quando voltava para a empresa, Vanessa ligou para Vera, mas a secretária não quis passar a ligação, porquanto ela estaria em meio de uma reunião e não queria incomodá-la, pois sempre em que era interrompida, a empresária ficava uma fera, isso, antes de conhecê-la, porém, a subordinada ainda não sabia desse detalhe.
            Quando chegou à companhia, já era quase hora de ir para casa, Vanessa arrumou suas coisas, foi até a sala de Vera e colocou o celular em cima de sua mesa junto com um bilhete e saiu, pois, ela ainda não havia voltado.
            Horas depois, quando se preparava para tomar um banho, o telefone toca.
            - Oi meu amor, porque você não me ligou? Quis saber.
            - Eu liguei, mas a Valquíria me disse que você ainda estava na reunião, eu não quis incomodá-la.
            - Você não me incomoda só me dá prazer. Estou morrendo de saudades. Posso passar aí na sua casa agora para saber como foi a sua conversa com o Roberval?
            - Claro que pode.
            - Então até daqui a pouco. Um beijo.
            - Outro.

            Vanessa desliga o telefone, e vai para o banheiro tomar banho, quando se prepara para entrar embaixo do chuveiro, a companhia toca, ela coloca um hobby e vai atender a porta. Leva um susto ao ver Vera estancada na porta, já que acabaram de se falar ao telefone.
Continua...
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domingo, 30 de julho de 2017

Felicidade tem prazo de validade.


BRINCANDO NA FLORESTA.


            Roberval Junqueira ligou na empresa para conversar com Vanessa a respeito do contrato que queria fazer com ela. No momento em que falava ao telefone, Vera apareceu para conversar com Sueli, as duas ficaram em silêncio ouvindo toda a conversa.
            Os dois marcaram de se encontrar na parte da tarde no escritório do empresário para discutirem as clausulas do mesmo, então desligou o telefone.
            Vanessa sentia-se insegura, pois iria assinar um documento muito importante em que a ajudaria a subir as escadas da fama. Vera se ofereceu para ajudá-la, colocando a disposição o advogado da empresa para acompanhá-la, então a moça aceitou.
            Bastou um telefonema para que tudo ficasse acertado entre ela e o defensor de causa. Pediu permissão à patroa para se ausentar na parte da tarde.
            - Não precisa pedir meu amor, respondeu e executiva pegando em sua mão. Vou mandar o meu motorista lavá-la.
            - Por favor, meninas, falou Sueli se levantando para sair da sala. Esperem-me sair primeiro.
            - Não precisa, respondeu Vera, eu já vou sair, tenho uma reunião daqui a pouco. Levantou-se também e roubou um beijo da sua namorada e disse acariciando o seu rosto. Vou sentir saudades sua.
            - Eu também!
            - Assim que terminar me liga.

            Entregou seu celular para ela, depois saiu para a reunião acompanhada por Sueli.
Continua...
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